quinta-feira, 17 de maio de 2012

MARATONISTA RELATA PAVOR DE FICAR PRESO INJUSTAMENTE



por  | 16/05/2012 às 18:09

Adilson Nagildo passou dois meses na penitenciária após ter sido acusado do roubo de um carro, em março.
Depois de ter passado quase dois meses na Penitenciária Industrial de Caxias do Sul (PICS), o maratonista Adilson Nagildo tenta esquecer o tempo que passou preso. O maratonista, que coleciona troféus e medalhas conquistados ao longo de 21 anos como corredor, foi detido após ter sido, segundo ele, acusado injustamente do roubo de um carro, em março deste ano.
Amigos, familiares, e até vereadores apoiaram Nagildo, organizando manifestações em defesa do réu e alegando que a vítima do crime teria confundido o maratonista com o ladrão.
No dia 3 maio ele foi solto, depois que a juíza da 4ª vara Criminal de Caxias do Sul, Cidália de Menezes Oliveira, aceitou o pedido de revogação de prisão preventiva, e responderá ao processo em liberdade provisória. Assim que saiu da prisão, Nagildo foi para a casa dos pais, em Itapema, e falou a O CAXIENSE, por telefone, sobre o caso.
Como foi que tudo aconteceu?
Estava telefonando para o meu chefe, para saber qual seria o roteiro de entrega do dia seguinte (Nagildo trabalha fazendo entregas como bikeboy), quando 4 policiais chegaram gritando: “levanta as mãos!”. Eles me bateram na cabeça e me deram chutes nas pernas. Fiquei sem saber o que fazer, não questionei ou falei qualquer coisa, apenas entrei no carro da polícia. Quando cheguei na Delegacia, fui enviado direto para a cadeia. Prestei depoimento, dizendo que não havia cometido qualquer roubo, mas não adiantou, a vítima afirmou que era eu quem tinha roubado seu carro.
Como foram todos estes dias na cadeia?
Foi muito ruim. Estou acostumado a ficar na rua, a treinar, não a ficar enclausurado. O pior é saber que estava preso por uma coisa que não fiz. Estava no lugar errado e na hora errada.
Como o senhor foi tratado lá dentro?
Muito bem. Logo que cheguei o prefeito (preso que manda nos outros) disse que eu era um campeão e que ninguém poderia me fazer mal. Então, ninguém me desrespeitou ou tentou me machucar. Os presos me tratavam como ídolo, estavam torcendo que eu fosse liberado logo, sabiam que eu era inocente.
Com quantas pessoas dividiu a cela?
Com mais 14 presos. Eu dormia numa jega (cama), mas tinha 4 que dormiam no corredor de entrada, 4 embaixo das jegas e o resto dividia outras camas um pouquinho maiores.
O senhor ficou traumatizado?
Sim. Não tem um dia que não penso no pavor de ficar preso injustamente. Lembro dos detalhes e das coisas ilegais que acontecem na prisão.
Como foi quando o senhor saiu da cadeia?
Foi maravilhoso. Na verdade, demorei 30 minutos para deixar a cadeia, porque os presos me pegaram no colo e me jogaram para cima em sinal de comemoração. Quando vi a rua, fiquei extasiado, é muito bom estar livre.
Quais são seus planos agora?
Devo ficar mais um tempo com meus pais em Itapema.
Se você for absolvido pela justiça vai processar a vítima que te acusou?
Claro. É o meu direito. Ele cometeu um engano e terá de pagar por isso.
Quanto o senhor gastou com advogados?
Já foram cerca de R$ 5 mil. Fico feliz que tive condições de arcar com isto, caso contrário, ainda estaria preso.

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